Reforma Tributária e Imóveis: O "Ano de Teste" Começou. O Que Muda no Seu Bolso em 2026?
- Larissa Andrade
- 15 de jan.
- 3 min de leitura
Se a taxa de juros a 15% é o "freio" de curto prazo do mercado, a Reforma Tributária é a mudança de rota que vai definir os próximos 10 anos.
Muitos clientes têm me perguntado: "Vou pagar mais imposto no meu aluguel?" ou "A venda do meu apartamento vai ser taxada pelo novo IVA?".
A resposta curta é: Em 2026, pouco muda financeiramente, mas tudo muda na burocracia. Este é o ano da preparação. Quem não se organizar agora, pode ter uma surpresa desagradável em 2027.
Entenda o que já está valendo e como proteger seu patrimônio.
1. 2026: O Ano do "Imposto de Teste"
A primeira coisa que você precisa saber é que não haverá um aumento brutal de impostos agora.
Em 2026, começa a fase de transição com uma alíquota de teste de apenas 1% (soma do novo IBS e CBS). E o melhor: esse valor será descontado dos impostos que já existem hoje (PIS/COFINS).
Na prática: O custo financeiro da transação permanece quase o mesmo este ano. O governo está apenas testando se o sistema de cobrança funciona.
2. A Nova Regra do Aluguel: Você é um "Locador Profissional"?
Esta é a mudança mais crítica da Reforma. Até 2025, pessoa física pagava apenas Imposto de Renda sobre o aluguel. Agora, cria-se uma distinção entre "Investidor Comum" e "Locador Profissional".
Você será considerado um contribuinte do novo imposto (IBS/CBS) se cumprir os dois requisitos abaixo:
Possuir mais de 3 imóveis alugados;
Ter uma receita bruta de aluguel superior a R$ 240 mil/ano (ou R$ 24 mil/mês).
O Impacto: Se você se enquadrar nisso, além do Imposto de Renda (até 27,5%), passará a pagar também o IVA (com redução, estimado em cerca de 8% a 10%).
A Solução: Para quem tem muitos imóveis, 2026 é o ano limite para consultar um contador e avaliar a abertura de uma Holding Patrimonial. Na PJ, a tributação tende a ser significativamente menor do que na Pessoa Física com as novas regras.
3. Compra e Venda: O Redutor que Ajuda
Para quem vai vender imóveis, a Reforma trouxe uma boa notícia para o mercado de médio padrão.
Redutor de Alíquota: As operações imobiliárias terão um desconto de cerca de 50% a 60% na alíquota padrão do novo imposto.
Redutor Social: Haverá um desconto fixo (estimado em R$ 30 mil a ser atualizado) sobre o valor da venda que ficará isento de tributação.
Isso visa proteger o pequeno proprietário. Porém, imóveis de altíssimo luxo podem ter um leve aumento de carga tributária a partir de 2027.
4. O "CPF" do Imóvel (CIB)
Esqueça a papelada descentralizada. Em 2026, ganha força o CIB (Cadastro Imobiliário Brasileiro).
Cada imóvel terá um código único nacional (como um CPF). Isso vai cruzar dados de cartórios, prefeituras e Receita Federal em tempo real.
Atenção: Se você tem imóveis com documentação irregular ou "de gaveta", a hora de regularizar é agora. O sistema vai fechar o cerco contra a informalidade.
5. ITBI e a "Morte" do Contrato de Gaveta
Outro ponto de atenção é a mudança na cobrança do ITBI (imposto municipal na compra). A proposta é que ele seja cobrado no momento da cessão de direitos (assinatura do contrato), e não mais apenas no registro em cartório.
Isso encarece o custo inicial para quem compra na planta ou tenta postergar a escritura para economizar.
Resumo: Checklist para 2026
Se você é... | O que fazer em 2026? |
Pequeno Investidor (1 ou 2 imóveis) | Fique tranquilo. Sua tributação praticamente não muda. Aproveite o ano para organizar as escrituras. |
Grande Investidor (+3 imóveis) | Alerta Vermelho. Faça uma simulação tributária urgente. Mover os bens para uma Holding pode salvar milhares de reais a partir de 2027. |
Comprador | Prepare-se para pagar o ITBI mais cedo. Considere esse custo no seu fluxo de caixa de entrada. |
Conclusão
A Reforma Tributária não é o "bicho-papão" que pintam, mas ela pune a desorganização. 2026 é um ano de "anistia técnica": o sistema mudou, mas o peso no bolso ainda não. Use esses 12 meses para arrumar a casa.

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