Selic a 15% em 2026: O que isso significa para quem quer comprar, vender ou investir em imóveis?
- Larissa Andrade
- 15 de jan.
- 3 min de leitura
Se você acompanha o noticiário econômico, já sabe: começamos 2026 com a Taxa Selic mantida em 15% ao ano. Para muitos, esse número assusta. Afinal, juros de dois dígitos encarecem o crédito e aumentam a atratividade da Renda Fixa.
Mas, no mercado imobiliário, o óbvio nem sempre é a melhor estratégia. Enquanto a maioria vê "crise" e "crédito caro", investidores experientes estão enxergando uma janela de oportunidade que pode não durar muito tempo.
Neste artigo, vamos descomplicar o "economês" e explicar exatamente como a Selic atual impacta o seu bolso e por que este pode ser o momento estratégico para agir antes da virada da maré.
O Cenário Atual: Por que 15%?
O Banco Central (Copom) manteve a taxa em 15% neste início de ano para combater pressões inflacionárias persistentes. Isso significa que o dinheiro está "caro".
O Lado Ruim: O Custo Efetivo Total (CET) dos financiamentos imobiliários está elevado. As parcelas iniciais ficam mais pesadas.
O Lado Bom (Oculto): Com o crédito mais difícil, a demanda por compra de imóveis diminui. E quando a demanda cai, o poder de negociação de quem tem dinheiro (ou crédito aprovado) aumenta drasticamente.
A Luz no Fim do Túnel: A Previsão para o Final de 2026
Aqui está o "pulo do gato": o mercado não precifica o hoje, ele precifica o amanhã. O Boletim Focus (relatório do Banco Central com as expectativas do mercado) já projeta uma queda da Selic para cerca de 12,25% até o final de 2026.
Isso sinaliza que o ciclo de alta acabou e o ciclo de corte de juros está prestes a começar.
Impacto Prático no Setor Imobiliário
1. Para quem quer Comprar (Moradia)
Você pode estar pensando: "Vou esperar os juros caírem para financiar". Cuidado com essa armadilha.
Historicamente, existe uma gangorra no mercado:
Juros Altos = Preços dos imóveis estagnados e margem para negociar descontos.
Juros Baixos = Explosão de demanda e preços dos imóveis subindo rápido.
A Estratégia: Comprar agora permite que você negocie um valor menor pelo imóvel, aproveitando que há menos concorrentes. No futuro, se os juros caírem muito, você pode fazer a portabilidade do financiamento para uma taxa menor, mas você já garantiu o imóvel pelo preço de hoje.
2. Para Investidores (FIIs e Imóveis Físicos)
Com a Selic a 15%, a Renda Fixa é confortável. Porém, os Fundos Imobiliários (FIIs) de "Tijolo" (shoppings, lajes corporativas, galpões) tendem a se valorizar muito quando os juros começam a cair.
Quem espera a Selic cair para 12% ou 10% para mover o dinheiro da Renda Fixa para imóveis provavelmente chegará tarde demais, pagando mais caro por ativos que hoje estão descontados.
3. Para o Aluguel
Com o financiamento caro, muitas famílias adiam o sonho da casa própria e continuam no aluguel. Isso mantém a demanda por locação aquecida, garantindo baixa vacância e bons retornos para proprietários locadores.
Resumo: O que fazer agora?
Perfil | Recomendação |
Comprador | Aproveite a baixa concorrência. Use o cenário de juros altos como argumento para negociar descontos agressivos no valor final do imóvel. |
Vendedor | Foque na diferenciação. Seu imóvel precisa estar impecável, pois os compradores estão mais seletivos. Considere aceitar permutas. |
Investidor | Comece a olhar para ativos reais (tijolo). A curva de juros indica que a valorização patrimonial será o grande ganho de 2026/2027. |
Conclusão
A Selic a 15% exige cautela com dívidas, mas oferece um poder de barganha raro para quem deseja adquirir patrimônio. O mercado imobiliário é cíclico e os sinais de mudança já estão no horizonte para o segundo semestre de 2026.
Não espere a multidão se mover. Analise seu orçamento e veja se este não é o momento de fazer aquela proposta ousada no imóvel que você está namorando.

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