Aluguel residencial sobe 9,16% em um ano e avança mais que o dobro da inflação

O preço dos novos contratos de aluguel residencial acumula alta de 9,16% nos últimos 12 meses, mais que o dobro dos 4,22% registrados pelo IPCA no mesmo período, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial. Em agosto, os valores avançaram 0,55% e, no acumulado de 2026, a alta chegou a 6,56%. O levantamento acompanha apartamentos prontos para locação em 36 cidades brasileiras.
A valorização não ocorre de maneira uniforme entre os tipos de imóveis. As unidades de dois dormitórios registraram a maior alta em 12 meses, de 10,25%, enquanto os apartamentos de um dormitório apresentam o maior valor médio por metro quadrado e também a maior rentabilidade bruta, de 6,77% ao ano. O comportamento reforça a demanda por imóveis menores e intermediários, que atende desde pessoas que moram sozinhas até casais e famílias pequenas.
“Quando o aluguel cresce acima da inflação por um período prolongado, o mercado precisa olhar não apenas para o preço, mas para o que está sustentando essa demanda. Localização, tamanho do imóvel, infraestrutura e perfil do público passam a ter peso ainda maior. Para o corretor, compreender essas diferenças ajuda a orientar tanto quem busca moradia quanto o investidor interessado em renda com locação”, afirma Celso Pereira Raimundo, diretor-geral do Observatório Imobiliário Brasileiro.
O movimento também amplia o debate sobre a relação entre compra e locação. Em um ambiente de juros ainda elevados, parte das famílias pode adiar a aquisição do imóvel próprio e permanecer por mais tempo no aluguel, sustentando a procura por unidades disponíveis. Para investidores e proprietários, porém, a rentabilidade não deve ser analisada isoladamente: valorização do imóvel, custos de manutenção, períodos de vacância e características de cada região continuam determinantes para avaliar o retorno de uma operação.

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