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Casas puxam financiamento imobiliário no Brasil com alta de 11,8% no primeiro semestre

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Observatório Imobiliário Brasileiro
4 de set.
3 min de leitura
Crédito: Magnific
Crédito: Magnific

Levantamento da Trillia, unidade de dados e inteligência da B3, mostra que mais de 507 mil imóveis residenciais foram financiados nos seis primeiros meses de 2026. Enquanto as operações envolvendo casas cresceram 11,8%, os apartamentos avançaram 0,6%. Outro dado chama atenção: a entrada média supera 35% do valor do imóvel.


O Brasil registrou 507.299 imóveis residenciais financiados no primeiro semestre de 2026, crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Trillia, unidade de dados e inteligência da B3. O principal avanço ocorreu entre as casas, que passaram de 255.776 para 285.900 operações, alta de 11,8%. Entre os apartamentos, o crescimento foi de 0,6% no período.


A diferença entre os dois tipos de imóveis revela comportamentos distintos na demanda financiada no país. Outro dado da pesquisa também chama atenção: em média, a entrada supera 35% do valor do imóvel. O percentual evidencia o peso do capital próprio em um ambiente ainda marcado por juros elevados e mostra que a disponibilidade de crédito, embora fundamental, não é o único fator que determina a capacidade de compra.


Confira a análise dos especialistas do Observatório Imobiliário Brasileiro

A leitura dos dados consolidados pela Trillia (B3) exige cautela para não confundir a modalidade de pagamento com o comportamento geral da demanda. A diferença entre o financiamento de casas, que cresceu 11,8%, e o de apartamentos, com alta de 0,6% no primeiro semestre de 2026, não significa necessariamente retração na procura por imóveis verticais, mas pode refletir formas distintas de aquisição e financiamento entre as tipologias.


O baixo crescimento do financiamento bancário de apartamentos não contempla uma parcela do mercado que utiliza outras formas de pagamento. Nas metrópoles e em regiões de alto padrão, a escassez de terrenos em áreas valorizadas favorece produtos como estúdios e apartamentos compactos, muitas vezes adquiridos por investidores, além de imóveis de luxo, nos quais há maior presença de pagamentos à vista ou de financiamento direto com as incorporadoras. Como essas operações não passam necessariamente pelo crédito bancário tradicional, elas não aparecem nesse recorte e podem fazer com que os dados de financiamento mostrem apenas parte do comportamento do segmento.


O mercado imobiliário brasileiro também atende a perfis de consumo distintos. Nos grandes centros, apartamentos com metragens mais compactas e maior oferta de serviços e áreas compartilhadas respondem à busca por localização, praticidade e conveniência. Coworkings, minimercados, lavanderias e áreas de lazer passam a complementar o espaço privativo e fazem parte da decisão de compra de determinados públicos.


Em contrapartida, as casas costumam atender consumidores que buscam metragens maiores, mais espaço para a vida familiar e, em muitos casos, empreendimentos horizontais com áreas abertas e contato com a natureza. É justamente nesse perfil, presente em loteamentos e condomínios horizontais, que o financiamento habitacional de longo prazo mantém participação relevante, contribuindo para explicar a alta de quase 12% registrada nas operações com casas.


As entrelinhas do levantamento mostram que a disponibilidade de crédito é apenas uma das engrenagens do mercado. Enquanto as casas apresentaram avanço mais expressivo no financiamento bancário, parte das transações envolvendo apartamentos pode ocorrer por caminhos alternativos de pagamento. Por isso, um crescimento menor do crédito destinado à verticalização não deve ser interpretado isoladamente como ausência de demanda, mas analisado em conjunto com o perfil dos compradores, as características dos produtos e as diferentes formas de aquisição disponíveis no país.


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